Malefícios do cigarro eletrónico
Malefícios do cigarro eletrónico
Nos últimos anos, o sector do cigarro eletrónico tem crescido rapidamente e os cigarros eletrónicos têm ganho mais adesão em todo o mundo, sob o slogan de ser um novo tipo de produto "inofensivo" e "mais seguro do que o tabaco convencional", este produto está a tornar-se gradualmente um novo favorito de muitas pessoas, nomeadamente de jovens. No entanto, de facto, os cigarros eletrónicos têm vários malefícios. A composição do cigarro eletrónico é complexa, várias substâncias do aerossol produzido têm um impacto claro nos sistemas cardiovascular e respiratório e, algumas estão relacionadas com doenças pulmonares graves; das quais, muitas são tóxicas ou mesmo cancerígenas; para adolescentes, os cigarros eletrónicos são absolutamente "nocivos sem benefícios", e a exposição de fetos e de adolescente à nicotina pode também causar consequências adversas a longo prazo para o desenvolvimento cerebral, e o uso de cigarros eletrónicos também pode levar a adolescentes a começar a ter contacto com o tabaco convencional. Além disso, o teor de alguns componentes maléficos do cigarro eletrónico é mais elevado do que o tabaco convencional. A Organização Mundial de Saúde (doravante designada por OMS) afirma que não há provas de que os cigarros eletrónicos ajudem a deixar de fumar. Por isso, para proteger a saúde, deve manter-se afastado do tabaco e manter-se afastado do cigarro eletrónico.
Malefícios dos componentes do cigarro eletrónico
A composição das soluções ou das preparações líquidas usadas nos cigarros eletrônicos é complexa, além de provavelmente conter nicotina, várias substâncias nocivas como compostos carbonílicos, compostos orgânicos voláteis, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, nitrosaminas específicas do tabaco (TSNA), metais, partículas de entre outros componentes encontram-se nas soluções e aerossóis1,2.
- Nicotina
Segundo os relatórios da OMS e do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, é provado que a nicotina faz mal à saúde, é altamente viciante, é prejudicial não só para mulheres grávidas, mas também para o desenvolvimento de fetos e bebés; o desenvolvimento cerebral de adolescentes continua até um pouco além dos 20 anos, a exposição à nicotina das crianças e adolescentes causa-lhes danos a longo prazo ao desenvolvimento cerebral, danos que se refletem em sintomas como dificuldade de aprendizagem e ansiedade3,4. Além disso, a nicotina produz um efeito adverso no sistema cardiovascular, principalmente a estimulação do sistema simpático, aumento de liberação de neurotransmissores que podem afectar o sistema cardiovascular como a epinefrina, norepinefrina, dopamina, vasopressina e, através da hipertensão e frequência cardíaca transitórias, provocam-se, ao fumar, a vasoconstrição coronária e/ou prejudicam a função endotelial 5, aumentando os riscos de doenças cardiovasculares. E embora a nicotina em si não seja uma substância cancerígena, pode funcionar como um "indutor de tumores"1
Além disso, a nicotina no líquido do cigarro eletrónico pode levar à ingestão acidental, especialmente em crianças, um suplemento típico de solução de 5 ml de cigarro eletrónico num pequeno frasco pode conter uma concentração de nicotina de 20 mg/ml (ou seja, 100 mg/frasco), a dose letal conhecida de nicotina é cerca de 10 mg para uma criança, e a ingestão oral ou gastrointestinal/contacto cutâneo também pode causar danos, especialmente para crianças, que muitas vezes levam a náuseas, vómitos, sonolência e taquicardia, e podem mesmo levar a convulsões, encefalopatia hipóxica, acidose láctica e morte.
Na realidade, é difícil para os consumidores saberem quais são os componentes do cigarro eletrónico e encontra-se a presença da nicotina mesmo em alguns cigarros eletrónicos com a indicação do zero-nicotina6。 - Compostos carbonílicos e óxidos
A glicerina e o propilenoglicol são humectantes, principais componentes da maioria das soluções dos cigarros electrónicos2, demostram decompor-se a altas temperaturas gerando compostos de carbonílicos (como formaldeído, acetaldeído e acroleína) de forma a causar stress oxidativo e inflamação, e quando se utiliza uma tensão de bateria mais alta e temperaturas de bobina mais elevadas, pode-se levar a um aumento dos produtos de degradação térmica 7, dos quais, a acroleína produzida pode comprovadamente causar stress oxidativo, resultando em aterosclerose coronária acelerada, facilmente aumentando o risco de trombose e doenças cardiovasculares, e o formaldeído é classificado como cancerígeno, e produz comprovadamente muitos efeitos negativos no sistema cardiovascular, o acetaldeído é também uma substância irritante e tóxica como também uma substância provavelmente cancerígeno7. - Nitrosaminas específicas do tabaco (TSNA).
São detetáveis em alguns cigarros eletrónicos componentes de nitrosamina específicos do tabaco 1,2, as nitrosaminas específicas do tabaco são produzidas principalmente devido à nitrosação dos alcaloides no tabaco no processo de extração de nicotina do tabaco ou do uso aditivo de flavorizantes no tabaco, e são conhecidas como substâncias cancerígenas poderosas. - Metais
Aquando do uso de alguns aparelhos eletrónicos em alta potência, a bobina de aquecimento também emite certos metais pesados, tais como chumbo, crómio, níquel, etc.3. De acordo com o relatório da OMS, o teor de certos metais pesados (como o níquel e o crómio) nos aerossóis em segunda mão de cigarros eletrónicos é superior ao do fumo em segunda mão e do ar 1. Além disso, os metais actuam comprovadamente como catalisadores para a oxidação de proteínas celulares no fumo do tabaco (CS), pelo que o seu papel pode ser semelhante ao de outros componentes relevantes de cigarros eletrónicos7. - Partículas
As partículas ultrafinas e finas encontradas nos cigarros eletrónicos (PM0.1, PM2.5) são altamente concentradas, são conhecidas por terem produzidos efeitos cardiovasculares e conduzem a muitos problemas de saúde, incluindo aterosclerose, trombose, doenças cardíacas coronárias e hipertensão7, e estão associadas a doenças respiratórias. - Efeitos adversos dos adoçantes
Aos líquidos utilizados no aparelho eletrónico são muitas vezes acrescentados flavorizantes, com mais de 7.000 sabores à escolha. Estudos apontam que a citotoxicidade está associada a certos flavorizantes usados nos líquidos do aparelho eletrónico, especialmente o sabor adocicado e sabor a canela8, e estudos apontam que o benzaldeído está presente em vários flavorizantes usados no aparelho eletrónico, este composto está associado à irritação respiratória, dos quais o sabor a cereja contém maior quantia deste composto 9 e o diacético está associado a doenças pulmonares graves em vários tipos de cigarros eletrónicos aromatizados. O relatório da OMS indica ainda que a maioria dos flavorizantes pode representar riscos significativos para a saúde quando usados durante um longo período de tempo1. - Outros
A doença pulmonar relacionada ao uso de cigarros eletrónicos (EVALI) é uma doença pulmonar aguda grave que tem sido reportada desde 2019, e até fevereiro de 2020, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA reportou mais de 2.800 casos, colocando a hipótese de a tal doença que possa estar associada ao tetrahidrocanabinol (THC) e/ou acetato de vitamina E nos cigarros eletrónicos, mas também pode estar associada a outros aditivos2. Segundo um inquérito realizado em Hong Kong a mais de 45.000 estudantes (faixa etária em média de 14,6 anos) também mostra que o uso de cigarros eletrónicos está associado a sintomas respiratórios (como tosse ou escarro)11.
Na situação pandémica, tendo em conta que o tabagismo é um fator de risco para COVID-19 e os jovens constituem o principal grupo de fumadores de cigarros eletrónicos, os EUA realizou um inquérito a mais de 4.300 jovens entre os 13 e os 24 anos de idade provenientes de 50 estados, segundo o inquérito, as pessoas que só tinham usado cigarros eletrónicos tinham 5 vezes mais probabilidades de serem infetadas com COVID-19; aqueles que usavam tabaco de enrolar e cigarros eletrónicos ao mesmo tempo tinham 7 vezes mais probabilidades de serem infetados com COVID-1912.
Perigos de aparelhos eletrónicos
A maioria dos aparelhos eletrónicos equipa-se com bateria, registaram-se explosões de aparelhos eletrónicos em todo o mundo devido à avaria, quando são guardados (por exemplo, nos bolsos) ou durante o uso, resultando em queimaduras nas coxas, virilha, rosto e/ou mãos.
Problemas de saúde pública
O uso de cigarros eletrónicos aumenta o risco de dependência da nicotina entre os utilizadores principiantes que não fumam, o que pode levar ao eventual uso de tabaco convencional, os jovens tendem a usar primeiro cigarros eletrónicos, precedente ao uso de cigarros tradicionais, e o uso de cigarros eletrónicos pode ser um caminho para os adolescentes desenvolverem dependência da nicotina 2. A OMS afirma que o uso de cigarros eletrónicos por menores que nunca fumaram irá pelo menos duplicar a probabilidade de começarem a fumar 1. Além disso, o uso de cigarros eletrónicos pode tornar habitual o comportamento do tabagismo, o que também pode promover o uso de cigarros tradicionais2.
O cigarro eletrónico não é mais seguro do que o tabaco convencional
Embora o número e o teor de algumas substâncias tóxicas comprovadamente produzidas por cigarros eletrónicos possam ser inferiores ao teor do fumo do tabaco, o teor de substâncias tóxicas produzidas por diferentes marcas e produtos diferentes da mesma marca pode variar muito, por vezes até mais do que o teor no fumo do tabaco, o que se deve principalmente ao aumento da temperatura do aparelho eletrónico, aumentando a decomposição térmica dos componentes da solução de cigarros eletrónicos1; a concentração de metais e partículas nos cigarros eletrónicos revela-se superior à do fumo do tabaco.
Podem ocorrer efeitos tóxicos mesmo que a concentração de substâncias tóxicas seja baixa ou muito baixa e, para a saúde, as substâncias tóxicas não tenham um limiar de segurança definido. Além disso, diferentes compostos podem ter vários efeitos catalíticos ou sinérgicos entre eles, resultando em efeitos desconhecidos 7. O uso a longo prazo pode representar um risco significativo para a saúde.
Não há provas de que os cigarros eletrónicos sejam usados como meio para deixar de fumar
A OMS alerta que não existem atualmente indícios suficientes de que os cigarros eletrónicos possam efetivamente ajudar os fumadores a deixarem de fumar 1, e os cigarros eletrónicos não foram aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para ajudar na cessação do tabagismo, e que a FDA não reconheceu a segurança ou a eficácia no auxílio à cessação do tabagismo.
Todos os centros de saúde da Direção dos Serviços de Saúde prestam serviço gratuito para a cessação do fumar, e os que desejam deixar de fumar podem consultar o pessoal médico de cada centro de saúde.
Linha de apoio à cessação tabágica:2848 1238
Referências
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