Existe algum método 100% eficaz para prevenir a transmissão sexual do VIH?
- A única forma de prevenção 100% eficaz é a abstinência, ou seja, não fazer sexo vaginal, anal ou oral com ninguém.
- O uso de preservativos masculinos ou femininos pode reduzir muito o risco de transmissão do VIH durante o sexo, mas não o elimina completamente.
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Os preservativos podem reduzir o risco de transmissão do VIH?
- Podem. O uso de preservativos masculinos ou femininos durante o sexo vaginal, anal e oral pode reduzir em grande medida a probabilidade de contacto directo com o sémen, sangue ou secreções vaginais de outra pessoa, reduzindo assim o risco de infecção por VIH.
- No entanto, os preservativos masculinos ou femininos não protegem o organismo a 100% da infecção pelo VIH, sobretudo quando são usados incorrectamente ou quando não são usados durante toda a actividade sexual.
- O grau de protecção dos preservativos é afectado por vários factores, incluindo o armazenamento, a forma de uso e a qualidade dos preservativos. De modo geral, os preservativos masculinos têm maior probabilidade de se romperem ou de escorregarem durante o sexo anal do que durante o sexo vaginal ou oral; os preservativos femininos só podem ser usados para o sexo vaginal.
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Como usar o preservativo masculino correctamente?
Deve-se:
- Usar sempre preservativos masculinos durante o sexo vaginal, anal ou oral.
- Usar um preservativo masculino antes do contacto sexual.
- Antes de usar, verificar se a embalagem de preservativos masculinos está danificada e verificar a respectiva data de validade.
- Armazenar os preservativos masculinos em local fresco e seco.
- Usar em paralelo com lubrificantes à base de água (por exemplo: K-Y®) para reduzir a probabilidade de rompimento dos preservativos masculinos.
Não se deve:
- Guardar preservativos masculinos na carteira, pois o calor ou a fricção poderão danificar os mesmos.
- Usar espermicidas, para não irritar a vagina e evitar assim o aumento do risco de transmissão do VIH durante o acto sexual.
- Usar lubrificantes oleosos (como vaselina, óleo de bebé, etc.) para evitar que o preservativo masculino se rompa.
- Usar vários preservativos masculinos ao mesmo tempo; o uso de dois preservativos ao mesmo tempo pode causar rompimento, devido à fricção.
- Reutilizar preservativos masculinos.
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Como usar preservativos femininos correctamente?
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| Abra a embalagem com cuidado. | O anel interno na ponta fechada é colocado na vagina,
a fim de fixar o preservativo. O anel externo fica fora do corpo, cobrindo a abertura vaginal. | Segure a parte externa da ponta fechada do preservativo, use o polegar e o indicador para comprimir os dois lados do anel interno e insira o mesmo na vagina. |
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| Empurre o anel interno para o colo do útero com os dedos. O preservativo expandir-se-á automaticamente. | Certifique-se de que o preservativo não está torcido. O anel externo deve ficar fora da vagina. | Guie o pénis do parceiro sexual para a abertura do preservativo. Se sentir que o pénis está a deslizar entre o preservativo e a parede vaginal, ou se o anel externo for empurrado para dentro da vagina, interrompa o acto sexual. |
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| Ao remover o preservativo, gire suavemente o anel externo para puxar o preservativo para fora da vagina. | Após o uso, embrulhe o preservativo num lenço e deite o mesmo no caixote do lixo. | |
Fonte das imagens:
Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), EUA
Deve-se:
- Usar sempre um preservativo feminino durante o sexo vaginal.
- Usar um preservativo feminino antes do contacto sexual.
- Antes de usar, verificar se a embalagem de preservativos femininos está danificada e verificar a respectiva data de validade.
- Armazenar os preservativos femininos em local fresco e seco.
- Usar em paralelo com lubrificantes à base de água (por exemplo: glicerina, K-Y®) para evitar que os preservativos femininos escorreguem ou se rompam.
Não se deve:
- Usar lubrificantes oleosos (como vaselina, óleo de bebé, etc.) para evitar que o preservativo feminino se danifique.
- Usar espermicidas, para não irritar a vagina e evitar assim o aumento do risco de transmissão do VIH durante o acto sexual.
- Usar preservativos femininos e preservativos masculinos ao mesmo tempo; o uso de dois preservativos ao mesmo tempo pode causar rompimento, devido à fricção.
- Reutilizar preservativos femininos.
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Os preservativos masculinos e femininos têm a mesma eficácia na prevenção do VIH?
- Vários estudos têm demonstrado que os preservativos masculinos e femininos têm a mesma eficácia na prevenção do VIH.
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Os espermicidas podem reduzir adicionalmente o risco de transmissão do VIH?
Não.
- As mulheres que usam pomada ou gel de espermicida para efeitos anticoncepcionais devem também usar um preservativo para prevenir o VIH. Em comparação com o uso exclusivo de espermicida, o uso simultâneo de espermicida e preservativo garante melhores efeitos anticoncepcionais.
- O espermicida contém nonoxinol-9 (N-9). Embora o N-9 permita eliminar o VIH num tubo de ensaio, um estudo mostrou que o N-9 colocado na vagina pode estimular a vagina e aumentar o risco de transmissão do VIH durante o sexo vaginal. O N-9 pode também estimular o revestimento do recto, não devendo ser usado no sexo anal.
- Alguns preservativos no mercado contêm lubrificante N-9. Em comparação com a ausência de preservativo, estes preservativos oferecem melhor protecção contra o VIH, mas um preservativo sem lubrificante N-9 é a melhor opção em termos de prevenção do VIH.
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Como prevenir a transmissão do VIH durante o sexo oral?
- Embora o risco de transmissão do VIH pelo sexo oral seja baixo, já se registaram casos de infecção pelo VIH por esta via.
- Usar uma barreira de látex permite reduzir o risco de infecção pelo VIH durante o sexo oral. Para sexo oral em homens, recomenda-se o uso de preservativo sem lubrificante. Para sexo oral em mulheres, recomenda-se o uso de barreiras dentárias (dental dams) ou de película aderente, ou cortar um preservativo sem lubrificante para cobrir a vagina.
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Como usar uma barreira dentária correctamente?
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Para além dos preservativos, existem outros métodos anticoncepcionais que permitam reduzir o risco de transmissão do VIH?
- Não. Apenas os preservativos podem simultaneamente reduzir o risco de gravidez e de infecção pelo VIH. Os adesivos anticoncepcionais, os anéis anticoncepcionais intrauterinos, as pílulas anticoncepcionais e outros métodos anticoncepcionais não previnem a infecção por VIH.
- Caso sejam usados métodos anticoncepcionais alternativos ao invés de preservativos masculinos ou femininos, estes devem, ainda assim, ser concomitantemente usados durante as relações sexuais, a fim de prevenir a infecção pelo VIH.
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A lavagem após a relação sexual pode reduzir o risco de transmissão do VIH?
Não, porque:
- O sémen entra no colo do útero quase imediatamente após a ejaculação.
- A lavagem pode estimular os tecidos vaginais, perturbando o equilíbrio natural de bactérias e enzimas nos tecidos vaginais, tornando-os mais susceptíveis a doenças sexualmente transmissíveis e ao VIH, ou complicando infecções existentes.
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Se ambos os intervenientes estiverem infectados pelo VIH, o uso de preservativo é necessário durante o sexo?
Sim, porque:
- Mesmo que ambos estejam infectados pelo VIH, é necessário, ainda assim, prevenir as DST ou, possivelmente, também a gravidez.
- O uso de preservativos permite reduzir a probabilidade de contacto com outros tipos de VIH, evitando infecções repetidas ou múltiplas. As infecções repetidas ou múltiplas podem agravar o estado da doença e até contribuir para o desenvolvimento de resistência à medicação.
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Se ambos os membros de um casal estiverem infectados pelo VIH, ou se um dos membros do casal estiver infectado, os mesmos podem ter filhos?
O membro do casal que estiver infectado deve:
- Continuar a receber tratamento antiviral para suprimir o vírus no organismo.
- Realizar consultas regulares de acompanhamento para monitorizar a carga viral presente no organismo e examinar o estado de saúde relativamente a outras doenças. Em caso de infecção por outras DST, as mesmas devem ser tratadas primeiramente.
- Discutir com o médico e com o parceiro o melhor método de concepção. É recomendado o uso de inseminação artificial, não sendo recomendável a concepção através de sexo desprotegido.
- Ponderar a taxa de infecção do bebé e se as condições familiares, económicas e profissionais são propícias à gravidez, ao parto, ao aleitamento e aos cuidados do bebé.
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Como ocorre a transmissão do VIH de uma mãe infectada para o seu bebé?
- As mulheres grávidas infectadas podem reduzir o risco de transmissão do VIH para os seus bebés de 1/4 para 1/12 através da administração de medicação antiviral. A fim de obter o máximo efeito preventivo da medicação antiviral:
- As gestantes infectadas devem consultar um médico o mais rapidamente possível e iniciar um tratamento com medicação antiviral o mais rapidamente possível. É fundamental tomar a medicação todos os dias à hora certa e na quantidade certa.
- As gestantes infectadas devem também tomar medicação durante o parto, devendo, por conseguinte, falar com o seu médico e planear a deslocação ao hospital com antecedência para fins de preparação para o parto.
- Mesmo que uma mulher gestante infectada não seja medicada durante a gravidez, o seu bebé deverá começar imediatamente a tomar medicação preventiva após o parto, devendo ainda ser continuamente acompanhado por um médico e realizar periodicamente testes de detecção do VIH.
- Dado que o VIH também pode ser transmitido aos bebés pelo canal do parto, é recomendável optar pela cesariana, permitindo assim reduzir a probabilidade de transmissão do vírus para metade.
- Dado que o VIH também pode ser transmitido aos bebés através do leite materno, não se recomenda o aleitamento por mães infectadas.
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Como podem os consumidores de drogas intravenosas reduzir o risco de transmissão do VIH?
- Evitar as drogas ou recorrer ao tratamento com metadona.
- Caso não seja possível abandonar completamente as drogas, deve-se evitar o uso de seringas no consumo das mesmas.
- Caso não seja possível abandonar o consumo de drogas injectáveis com seringa, não se deve partilhar ou reutilizar agulhas, seringas ou outro tipo de equipamento de injecção (por exemplo: colher, tampa de garrafa, algodão) com terceiros. O uso de seringas novas permite reduzir o risco de transmissão do VIH.
- Caso não seja possível usar seringas de uso individual ou seringas descartáveis, deve-se desinfectar completamente as seringas antes do uso das mesmas, permitindo assim reduzir o risco de transmissão do VIH, embora sem eliminá-lo completamente.
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Como esterilizar correctamente as seringas?
- Enxaguar a seringa com água limpa para remover o sangue da mesma.
- Encher a seringa com lixívia (sem diluir a mesma em água), agitar várias vezes e deixar a lixívia limpar o interior e o exterior da seringa.
- Deitar fora a lixívia e repetir a operação.
- Encher a seringa com água limpa, agitar várias vezes e deixar a água limpar o interior e o exterior da seringa.
- Deitar fora a água e repetir a operação.
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O consumo de álcool ou de outras drogas não intravenosas aumenta o risco de transmissão do VIH?
Sim, porque:
- O consumo de álcool ou de drogas não intravenosas, como a cocaína, a erva e o ecstasy, pode induzir um estado de delírio ou confusão, deixando as pessoas mais propensas ao sexo desprotegido ou ao uso de seringas contaminadas.
- As drogas não injectáveis, como a cocaína, tendem a potenciar o desejo sexual e a reduzir a inibição sexual, o que também aumenta a probabilidade de sexo inseguro.
- Os consumidores de drogas podem também envolver-se em relações sexuais que envolvem dinheiro ou drogas, o que aumenta ainda mais o risco de infecção pelo VIH.
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Como podem os profissionais de saúde ou demais profissionais que possam estar expostos a sangue ou a outros fluidos corporais infectados no seu contexto profissional reduzir o risco de infecção pelo VIH?
- A fim de reduzir o risco de infecção VIH, os profissionais de saúde devem seguir estritamente todas as directrizes de segurança e adoptar normas de precaução, incluindo o uso de luvas ao proceder à recolha de amostras de sangue ou ao administrar injecções e a lavagem frequente das mãos antes e depois de cada operação.
- No entanto, podem ocorrer ferimentos acidentais, como, por exemplo, picadas de agulha ou contacto directo com sangue ou outros fluidos corporais. Em caso de contacto acidental com sangue ou fluidos corporais no contexto profissional, deve-se:
- Lavar imediatamente com sabão e bastante água, desinfectar adequadamente e aplicar um curativo na ferida. Em caso de contacto das membranas mucosas (por exemplo, os olhos), com sangue ou fluidos corporais, as mesmas devem ser enxaguadas imediatamente com água ou soro fisiológico.
- Dirigir-se o mais rapidamente possível ao pronto-socorro, onde um médico avaliará o estado de infecção por VHB, VHC e VIH da fonte de exposição e do indivíduo exposto e determinará se é necessário administrar medicação preventiva (conhecida como “profilaxia pós-exposição”), a fim de reduzir o risco de infecção por VIH.
- Para garantir a sua eficácia, a profilaxia pós-exposição deve ser iniciada o mais cedo possível, dentro de um prazo máximo de 72 horas, tendo o tratamento uma duração de 4 semanas.
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Após um contacto sexual desprotegido ou em caso de suspeita de exposição ao VIH fora do contexto profissional, posso dirigir-me aos Serviços de Saúde para solicitar medicação preventiva?
- Com base nos resultados da avaliação de risco, os médicos do Centro Hospitalar Conde de S. Januário podem administrar profilaxia pós-exposição a pessoas em risco de infecção por VIH (independentemente da fonte de exposição).
- Para garantir a sua eficácia, a profilaxia pós-exposição deve ser iniciada o mais cedo possível, dentro de um prazo máximo de 72 horas, tendo o tratamento uma duração de 4 semanas.
- Os residentes locais estão isentos nos termos da lei (Decreto-Lei n.º 24/86/M), podendo os residentes não locais requerer a isenção junto do director dos Serviços de Saúde (nos termos da Lei N.º 2/2004 “Lei de Prevenção, Controlo e Tratamento de Doenças Transmissíveis”).
- Em caso de apreensão por motivo de suspeita de infecção pelo VIH, é recomendável realizar um teste de detecção do VIH, tendo em atenção o facto de poder verificar-se um resultado “falso negativo” durante o “período de janela”. De modo geral, um resultado negativo obtido três meses após a ocorrência do comportamento de risco é fiável. Se o teste for realizado durante o “período de janela” e o resultado for negativo, recomenda-se a realização de um novo teste após o mesmo período. Por conseguinte, recomenda-se a adopção de medidas de protecção durante qualquer acto sexual.
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